Frugalidade e minimalismo

Minimalismo para não minimalistas

Muitas pessoas já me falaram que achavam o minimalismo interessante, mas não se imaginavam como minimalistas. Claro que, com a nossa tendência de sempre pensar em extremos, pintamos um minimalista como alguém que não possui nada e se priva até mesmo das coisas que quer. Isso é mentira. Na minha opinião, um verdadeiro minimalista é, simplesmente, uma pessoa bem esclarecida e bem resolvida consigo mesma. 
Porém, existem conceitos que tornam o minimalismo, de fato, minimalista. E esses conceitos podem ser aplicados por qualquer um, inclusive os não minimalistas! Sim, você! 🙂 Afinal, o que difere você, que não se considera um minimalista, de um minimalista real (que, curiosamente, dificilmente se nomeia dessa forma) é o grau de aplicação desses conceitos. Abaixo, listei alguns dos que geralmente tento transmitir para as pessoas que me perguntam a respeito, e que, tenho certeza, você já conhece, mesmo que superficialmente.
 1. Não compre coisas que você não usa.
Eu já estava cansada de saber disso até o dia em que eu realmente pensei a respeito. Porque, apesar de conhecer o conceito, eu não o aplicava para absolutamente nada! Foi então que eu decidi que não mais compraria revistas. Na época eu tinha uma coleção de revistas de decoração e moda, mas, depois de ler uma única vez, todas ficavam empilhadas na minha estante sem uso. Comecei então a me desfazer delas aos poucos, até que um dia eu finalmente mandei todas embora. Essa decisão foi tomada em 2012, e desde então eu comprei apenas 2 revistas: uma Rolling Stones, em 2013, por causa da capa (ela nunca foi aberta, continua no plástico e penso em um dia emoldurar a foto da capa) e uma da Capricho, há uns dois meses, que é um guia de viagem para a Disney. Tenho um total de 3 revistas, incluindo essas duas e uma outra que eu tinha antes, de edição de imagens. O que mais eu não compro? Camisas pólo, roupas de festa/balada, esmaltes perolados, livros, CD’s, DVD’s, coisas que eu fico em dúvida, coisas com frases ou propagadandas ou estampas, acessórios em geral, água (sempre ando com a minha), alguns itens de maquiagem (brilho labial, por exemplo) etc. Também evito pegar lembrancinhas, amostras, itens “compre x, leve y” e afins.
2.Use até o fim as coisas que você compra.
Acredito de todo coração que o mais correto a se fazer quando compramos algum bem consumível é de fato consumi-lo. Até. O. Fim. Não me sinto confortável em desperdiçar nada e quando algo não me serve em seu propósito original dou um jeito de usá-lo mesmo assim. Já joguei iluminador líquido (maquiagem) dentro de frasco de hidratante corporal e uso também o óleo reparador de cabelo para hidratar a pele do rosto (e dá super certo!), por exemplo. Deixo determinados produtos dentro do box do banheiro porque sei que se ficarem em outros lugares não serão usados nunca (creme esfoliante facial, por exemplo) e me obrigo a usar produtos que estão quase acabando antes de começar a usar outro do mesmo tipo. É claro que eu não passo vontade deixando, por exemplo, de usar um hidratante porque estou terminando um outro, apenas, nos dias em que “pra mim tanto faz”, dou preferência para o que está quase no fim. No ano passado fiquei quase 7 meses sem usar um shampoo ou condicionar de frasco padrão pois tinha o suficiente de amostras para usar por todos esses meses (leia sobre aquiaqui). As vezes não gostamos muito de algo que compramos, e não há nada de errado nisso, mas já que investimos no produto, porque não fazer um esforcinho a mais para termina-lo de vez? É claro que sempre podemos da-lo para alguém que goste, mas não é justo entupir outras pessoas com a nossa própria tralha, não acha? Por isso mesmo sou uma adepta de Projects Pan! A sensação de desafio me estímula a realmente usar os produtos que não sou tão fã e de prêmio posso usar aqueles que eu gosto muito! Ninguém está livre de enjoar de algum produto, por isso você pode fazer um rodízio entre os aqueles similares para dar uma renovada. 🙂 Vai demorar um pouco mais para usar um produto até o fim, mas pelo menos você não fica num estado de espírito negativo. Quais produtos eu sempre uso até o fim? Demaquilantes, esfoliantes faciais, hidratantes labiais e corporais, máscaras de cílios, pós compactos, desodorantes, canetas marca-texto, lápis grafite, canetas tipo BIC, borrachas etc.

3. Um entra, um sai.
Quando eu ainda tinha coisas demais, minha regra era “um entra, dois saem”. Hoje me permito apenas me desfazer de um objeto. O ideal é que sejam objetos similares, com a mesma finalidade ou do mesmo grupo/gênero. Mas claro que nem sempre consegui cumprir isso, então me desfazia de outros objetos diferentes. O importante era o exercício do desapego. Para aplicar essa regra “ao avesso” podemos adotar o hábito de só comprar um novo quando o similar velho acabar, mas eu sei que nem sempre isso é possível. Com a prática acabei incorporando esse mantra e agora, todas as vezes que estou cogitando adquirir alguma coisa nova, antes mesmo de me preocupar com o valor financeiro, me pergunto qual objeto “velho” esse novo me custará. Por exemplo, tenho um limite de uma calça jeans por vez já há uns anos, sendo que recentemente mandei minha velha embora (com quatro anos de uso) e adquiri uma nova. Um exercício similar seria  buscar todos objetos que estão em duplicidade e só manter um de cada um. Seja qual for o método, o importante é aceitar o sentimento de que aquilo que fica é o suficiente para atender as suas necessidades.

Como esse post já está enorme vou encerrar por aqui, mas eu adoraria continuar falando sobre o assunto! Será que você tem alguma pergunta que gostaria de me fazer ou uma dica para compartilhar? 🙂

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9 Comentários

  • Vanessa

    Adoreiiii o post, é incrível quanto me identifico com suas palavras. Estou nessa também..rsrsrs…não sei se já sou minimalista mas sei que nos últimos anos, seguindo os passos acima, ganhei muito em leveza, em economia de dinheiro e espaço. Quando comecei meu quarto era tão atulhado de cacarecos e coisas sem sentido…que dependendo da porta do armário que eu abrisse corria o risco de ter algo caindo na cabeça…rsrs…esse ano, depois de vários destralhes continuos ao longo dos meses e muitos objetos a menos, consegui fazer uma faxina geral revendo tudo que possuo em apenas 2 dias e me senti orgulhosa (tenho espaços vazios, coisas que realmente tenham sentido), ficou muito melhor pra limpar, organizar e até me arrumar pra sair. É impressionante o quanto mudamos pra melhor. Sei o que combina comigo, o que comprar, só compro quando necessito e se algo entra, algo tem que sair. Não me vejo mais vivendo de outra forma! E as vezes me pergunto pq levei tanto tempo pra atingir esse estágio. Aí vejo ao meu redor tantas pessoas endividadas e vivendo de aparências, gastando horrores com roupas que ficam encostadas no armário e penso…pra que tudo isso? Desperdício né?

    E uma dica minha é: quando ganhar algo ou comprar algo e depois perceber que não precisa,ou quando descobrir itens parados em casa…venda…se estiver em bom estado sempre é possível arrecadar um dinheiro e ajudar alguém que está precisando daquele item mais que vc.

  • Tatiana Lopes

    Vanessa, ótima dica! E olha só que coincidência: eu me identifiquei muito com o seu comentário também! Minha super faxina também levou entre um e dois dias e foi a melhor coisa que eu já fiz. Realmente, por que demoramos tanto para alcançar esse estágio?!
    Besos!

  • Tatiana Lopes

    Susany, o caminho parece sem fim, mas a cada passo, mesmo sabendo que você não chegou "lá" (se é que isso existe), a sensação de leveza é maior. Vale muito a pena! Sucesso para você e não esquece de me contar mais qualquer dia!
    Besos!

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