Frugalidade e minimalismo,  Reflexões,  Vida real

Não compre ovos de Páscoa

Foi muito difícil convencer minha família a não me presentear com ovos de chocolate, ou nenhum tipo de presente, nas festividades de Páscoa. Meus pais, provenientes de famílias católicas e conservadoras, sofrem com minhas crenças pessoais, especialmente referente aos feriados cristãos.
O meu ponto de vista é bem simples: se você não é cristão ao ponto de seguir todas as tradições impostas pela sua crença com relação ao feriado de Páscoa (e todo o resto), então não seja a pessoa que irá gastar as bicas com ovos de chocolate que só servem para aquecer uma indústria que inflaciona o preço de um bem de consumo absolutamente comum por conta de um dia no ano. Pronto, falei.
Eu, particularmente, sempre tive grandes desconfortos alimentares no pós-Páscoa, por conta das “orgias alimentares” de chocolate e doces ganhados. Nunca comi carne na Sexta-feira Santa (já não comia peixe e na minha família não se come carne nesse dia), mas sempre ganhei muitos ovos. Estes ficavam rodando pela casa por meses, até que minha mãe finalmente os derretia ou ralava para usar em outras receitas e evitar o desperdício. Chegamos até mesmo a doar os ovos de Páscoa que ninguém estava interessado em comer.
 Pensando nisso, resolvi pesquisar o significado por trás dessa tradição, porque nunca entendi bem o significado dessa história de presentear as pessoas com ovos de chocolate. De acordo com o que descobri, o ovo simboliza o renascimento, e o coelho, a fecundidade (se relaciona com a “fecunda” missão da igreja em propagar sua mensagem, enfim…). Por conta da quaresma, as pessoas substituíram os ovos de galinha, originalmente pintados e usados na troca de presentes da celebração, pelos ovos de chocolate. Por uma incrível coincidência, isso aconteceu na mesma década que o surgimento da indústria de chocolates na Inglaterra, em 1830. Poxa, olha só que coisa…
Sou absolutamente contra essa tradição (dos ovos de chocolate, não da Páscoa), assim como qualquer tipo de comercialização exercida a partir de comemorações religiosas, mas não acho que isso seja culpa dos “homens malvados da indústria” (já trabalhei no comércio e entendo que é uma necessidade, de certa forma). Mudar isso englobaria mudar toda a maneira como a economia atua e, apesar de ser algo que me interessa, não é esse o foco do meu post hoje. Então, como contornar a situação?
Não tome parte.
Não comemoro a Páscoa, consequentemente não tomo parte dessa comemoração. Extremistas podem pensar, então, que eu deveria trabalhar na sexta feira, afinal o feriado não significa nada para mim. Porém, assim como os judeus ganham dias de folga nos feriados cristãos que para eles não existem, eu também tenho que seguir o calendário da empresa em que trabalho (na época em que trabalhei no comércio, o feriado não mudava minha escala). Afinal, a grande maioria das pessoas não trabalha no Carnaval, mas não necessariamente isso significa que elas estão na avenida, pulando atrás do bloco de samba, certo?
Compre os ovos das microempresas ou produtores caseiros.
Se você, diferente de mim, não tem problemas com o “presentear ovos”, ou se não tomar parte não é uma opção disponível, pelo menos colabore para a economia local da sua região. Compre os presentes em microprodutores ou mesmo com aquela sua conhecida que está vendendo ovos de Páscoa para aumentar a renda da casa dela (afinal, ninguém teria esse trabalho se não fosse por necessidade). Numa época onde o país sofre uma crise histórica e onde, de acordo com o Sebrae, as pessoas estão se voltando cada vez mais para o empreendedorismo, apoiar iniciativas menores é a melhor maneira de contribuir para sua região, cidade ou comunidade. Pratique essa ideia.
Compre os ovos depois do feriado.
Essa é bem popular: se faz questão dos ovos embalados pelas grandes empresas, com o logo daquela marca que adora, pelo menos economize uma grana e compre os ovos depois do feriado. Para não passar “em branco”, crie “vale-ovos”, ou outras brincadeiras com as crianças, ganhando assim algus dias de manobra enquanto espera pela queda de preços. Ou tenha uma conversa franca e aberta, afinal, quem não entenderia a situação? Todos sabemos que depois da Páscoa e do Natal os preços caem vertiginosamente.
Faça seus próprios ovos de Páscoa.
Outra opção interessante, que ainda pode contribuir para que você passe um tempo de qualidade ao lado das pessoas que ama. Se os seus filhos querem ovos, então por que não fazê-los juntos? Vale muito mais do que qualquer ovo das Princesas ou do Star Wars. Aproveitando o ensejo, lembre-se que, quem manda no relacionamento, são os pais e ou responsáveis: já fui privada de coisas “que queria muito” na infância porque meus pais não tinham condição e/ou interesse em me dar, e adivinhem? Eu sobrevivi.
Ainda prefiro não tomar parte, mas sei que é uma opção super pessoal, alinhada com minhas crenças não religiosas e intenções e práticas minimalistas. Mas é algo a se pensar, caso você nunca tenha tido essa oportunidade. Tenho certeza que existe um meio termo que funciona para cada um, esses que citei são apenas as opções mais fáceis, do meu ponto de vista! O que vocês pensam do assunto?
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One Comment

  • Camilla

    Olá!
    Um amorzinho seu espaço. Só não entendi a parte "…se você não é cristão ao ponto de seguir todas as tradições impostas pela sua crença com relação ao feriado de Páscoa (e todo o resto), então não seja a pessoa que irá gastar as bicas com ovos de chocolate…". Bom sou católica e vou a igreja desde sempre e nunca ouvi de um padre ou religiosa: "Compre ovos de páscoa". Ou nunca li no catecismo algo que remetia a isso. Já os ouvi explicando o significado e orientando ao cuidado no consumo não só na páscoa mas em todos os feriados cristãos. Nesse período o que muito se ouve nas igrejas é justamente sobre levar a vida mais simples possível, doar roupas, jejuar, se abster de carne, chocolate, enfim, pelo menos nesse período levar uma vida sem exageros. Se o comercio vende tanto e fatura tanto, é justamente porque hoje o comércio é mais forte que a igreja, no sentido de convencer mais as pessoas. Valeu. beijos.

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