Frugalidade e minimalismo,  Reflexões,  Vida real

Eu amadureci como minimalista?

Recebi o comentário abaixo, no post Ter para usar ou usar para acabar? , que foi publicado originalmente aqui no blog em Novembro de 2013:

Apesar de eu estar lendo a postagem antiga, vejo que nas postagens mais recentes você ainda carrega um pouco desta preocupação de usar o que você tem. Eu tenho me esforçado nos últimos dois anos para reduzir as coisas que eu tenho em excesso e o sentimento de que “ainda não está bom” não sai de mim. Eu tinha esperança de que eu conseguiria o equilíbrio de ter apenas o necessário para o meu estilo de vida, o meu espaço, a minha renda e etc.
Você já se sente melhor com relação a isso? Um dia melhora essa sentimento?
Beijo, Clara
Clara, seu comentário foi o gancho perfeito para um post que estou ensaiando publicar aqui no blog já a algum tempo. Como é amadurecer como minimalista?
Me lembro daquela ansiedade que permeava meu mundo quando tive meus primeiros contatos com essa ideia. Eu queria tanto ser essa pessoa evoluída que tem somente o essencial. Queria um ambiente quase espartano, com poucas coisas, sem dor de cabeça, sem ter que pensar no assunto. Queria ficar meses, anos até, sem comprar roupa. E ainda quero!
Não sou um bom parâmetro pois sou uma pessoa ansiosa por natureza, mas sim, esse sentimento já abrandou muito. Antes eu me sentia fisicamente mal a respeito das coisas, mas hoje lido muito melhor e entendo que essa jornada, assim como todas as outras, na verdade, não ocorre em linha reta, mas de maneira espiral: você vai e volta, avança e regride. E isso é super natural.
Essa minha preocupação exacerbada com o “usar o que tenho” faz parte da minha criação: minha mãe sempre guarda as coisas para possíveis usos futuros e nunca joga nada fora sem antes aproveitar seu potencial 100%. Percebo, por outro lado, que o meu namorado não tem problemas em jogar coisas fora, mesmo quando ainda estão aptas a serem usadas, ou possuir coisas que não estão em uso, mesmo quando são duplicadas de outro objeto. Aliás, depois de um ano de convivência comigo ele começou a realizar destralhes e mais destralhes nos seus objetos pessoais, sem que para isso eu tenha precisado realizar nenhum tipo de lavagem cerebral nele! 🙂
Não mentirei para você, pois já entendi que nunca ficarei satisfeita com isso, mas consigo ficar em paz agora que já reduzi tanto. Ainda enxergo em meu mundo todas as coisas que poderiam não estar ali, mas por algum motivo não tive coragem o suficiente para mandar embora ainda: são questões a serem trabalhadas. Em geral, não me desfazer de certos objetos não invalida meu posicionamento minimalista com relação a vida: eu já os tenho, e isso me impede de adquirir novos e duplicados. Esse é o ponto que me importa.
Também existem certas barreiras, como por exemplo o fato de que muitas das roupas vendidas nas grandes redes de lojas hoje são de baixa qualidade e, por vezes, até mesmo provenientes de trabalho escravo. Por mais que eu queira ficar meses sem comprar nada, isso não é uma realidade possível por aqui. O que está ao meu alcance são as escolhas inteligentes, e, em muitos casos, é mais inteligente ter dois objetos iguais, cada um em um lugar diferente, do que ter apenas um e carregá-lo toda hora: tenho um carregador de celular em casa e um no trabalho, um kit básico de maquiagem na casa do namorado, um chinelo reserva e um sapato de salto no trabalho etc. Sempre que possível, também, faço trocas inteligentes: uma blusa por outra que me agrada mais, um sapato por outro de mais qualidade, uma bolsa por outra que me atenda melhor e por aí vai.
Acho que essa inquietude era, de certa forma, uma necessidade de provar que eu era realmente minimalista, então, um ambiente que ainda não refletia meus ideiais minimalistas, assim como um ambiente diferente daquele típico monocromático que vemos nas fotos do Pinterest, me deixava angustiada. O tempo me mostrou que o meu minimalismo se manifestava nas escolhas que eu fazia, por comparação com as escolhas das outras pessoas com comportamentos mais dentro do “padrão”: sempre fui chatinha, mas agora eu sou uma chata assumida e muito feliz com isso. 🙂 Esse comportamento têm alterado o ambiente ao meu redor e lentamente estou cada dia mais satisfeita, calando aos poucos essa vozinha interior que sempre dizia “ainda não está bom o suficiente”.
Resumindo, Clara, fica tranquila que um dia você chega lá, sim!! 😉
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2 Comentários

  • Tartaruga

    Tate,
    obrigada pela resposta. O seu esforço, de fato, me inspira. Eu tenho conseguido comemorar mais os meus sucessos e até me resolvi com muita coisa. Não tenho grandes ambições, mas eu não havia percebido que você é ansiosa. Isso explica muita coisa.
    Eu tenho muita paciência (MUITA mesmo) e creio que vou sossegar. Mas é um caminho muito longo. E como aprendemos mais sobre nós mesmas…
    Beijo, Clara

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