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1/365 dias sem comprar

Hoje é segunda-feira e agora são 8h30 da manhã. Acabei de pegar o ônibus a caminho do trabalho, atrasada porque o o ônibus demorou a passar. Aproveito esse tempo para começar meu diário do ano sem compras. Acordei querendo usar meu vestido novo, mas ao mesmo tempo me ocorreu que não teria nada de especial no meu dia para justificar usar minha roupa nova. Além disso, teria que usar também meia-calça, pois está frio. Lembrei-me também que hoje tenho que sair do trabalho direto para o outro lado da cidade, entregar a documentação do curso de extensão que resolvi começar. Certo, não era um dia para vestidos… Mas mesmo assim, uma outra vozinha me lembrou: se não hoje, então quando? Dias especiais são muito raros para deixarmos de usar hoje nossas roupas novas. Mesmo que elas precisem de meia-calça.
Você deve estar se perguntando porque eu estaria falando sobre esse assunto aleatório hoje. A resposta é simples: acho que resolvi ficar um tempo sem comprar. “Acho”, porque assumir de fato é um compromisso muito grande, que ainda não me sinto segura em assumir. Um “tempo”, escrito assim dessa maneira vaga, porque quero viver um dia de cada vez, sem pensar no número total de dias que ficarei sem comprar no final dessa história. Mas por quê isso agora?
Me formei na faculdade no final do ano passado, liberando uma parte significativa da minha renda. Entrei naquele período de tempo e dinheiro livre que soa como um paraíso merecido. Emagreci 9kg, fiz a viagem dos sonhos nas férias, troquei o modelo do celular por um de última geração pela primeira vez na vida. Tudo isso porque eu merecia. De repente me vi caminhando pelo mesmo caminho que  todas as outras pessoas, aquele que não quero caminhar: criando o hábito de comprar o que quiser porque posso, porque mereço e porque é pra isso mesmo que ganho meu dinheiro. Mas não é bem por aí, não é mesmo? Não é isso que desejei para a minha vida e esse foi o maior retrocesso que tive nos últimos tempos.
Não preciso ficar um ano sem comprar, mas quero. Quando digo que ficarei sem comprar, me refiro principalmente a roupas, gadgets e cosméticos, mas em um segundo plano também revisarei outros gastos que tenho, como remédios, alimentação e principalmente gastos em viagens. Viajar é um dos meus hobbies favoritos, então quero ter verba livre para poder fazer isso, mas ao mesmo tempo quero fazer isso de uma maneira inteligente, financeiramente falando.
Minha conclusão é a de que nesse ano consumi muito mais do que, aos meus olhos, era absolutamente necessário. Fazendo uma rápida conta de cabeça, posso dizer que tenho o suficiente para passar pelo próximo ano sem comprar nada, mas sei que meu ponto fraco não são as necessidades, e sim as vontades: essas são muito piores de administrar.
Acho que o ponto de virada mesmo é identificar os gatilhos que me fazem comprar. Logo de cara, já sei duas situações que me fazem puxar a carteira sem nem pensar direito: quando estou ansiosa e/ou aborrecida, ou quando estou com meu namorado. No primeiro caso, porque estou com meu psicológico instável e no segundo porque estou feliz demais, ambos um perigo para meu bolso.
Na semana passada deixei uma pequena quantia em dinheiro, meu vale transporte e vale refeição na carteira, deixando todo o resto em casa. O motivo? Já tinha gastado demais. Apesar de ter comentado que pensava em fazer isso no post sobre o meu planejamento financeiro para esse ano, nunca tinha realmente o feito. A sensação de privação foi leve, mas existiu. Hoje, sai de casa com o cartão, sabendo que apenas vou sacar o dinheiro que preciso para a semana e depois o devolverei ao calabouço em que esteve preso nos últimos dias.
Um passo de cada vez, uma respiração de cada vez, um pulsar de cada vez. Tenho planos, metas e sonhos e esse é o caminho ideal para torná-los realidade.
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4 Comentários

  • Tartaruga

    Não é uma tarefa fácil. Gosto quando escreve sobre algo que me identifico. Também me assustei com o resultado da repentina sobra de dinheiro que resultou em um monte de tranqueiras que eu comprei porque eu podia, eu porque achava que "merecia". Nas primeiras limpas que fiz ficou evidente como que comprei coisas que eu queria mas que não queriam dizer nada sobre mim. Estou controlando as minhas compras, não penso em algo tão extremo. Pensando em tudo o que você já fez, continua sendo um enorme desafio, mas dentro das suas capacidades.
    Estou na torcida pelo seu sucesso!
    Beijo, Clara

  • Tatiana Lopes

    Clara, obrigada pelo apoio! Foi bem o que eu disse, não sei o que me aguarda, não sei se chego até o final, mas quero fazer uma tentativa real de ficar sem comprar. Quando não prestamos atenção, todo nosso dinheiro se vai e ficamos com a maior cara de ué sem saber pra onde… O pior é ficar cercada por aquelas peças que no fundo nós sabíamos que dava para passar sem.
    Beijos, Tate!

  • Janaina de SC

    Oi Tati,
    por coincidência eu também comecei um ano sem compras no dia 07 de agosto.
    Não comprarei roupas, sapatos, acessórios. Apenas cosméticos para reposição que forem necessários. mas as vezes eu sinto uma enorme necessidade de comprar qualquer coisa, mesmo que seja uma meia, sendo que eu nao preciso de nada agora. estou me cuidando para não compensar em outras coisas como comida.
    Mas vamos lá.
    Um dia de cada vez.
    Boa sorte para nós e continue postando pois seu blog me inspirou em muitos destralhes e no viver com menos em geral.
    Um beijão.
    Janaina de SC.

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