Derrotada

Segunda, 24 de abril
Faz tanto tempo que não escrevo que já nem me lembro como começar. Estou agora mesmo esperando meu ônibus para o trabalho, congelando no vento frio da manhã, porque meus cabelos estão molhados e também porque escolhi errado a roupa do trabalho. Mas vamos começar pelo início.
Meu quarto está uma zona, uma bagunça. Já desisti de tentar entender se minha cabeça também está atrapalhada por causa do ambiente à minha volta ou vice-versa, mas o que importa é que não consigo resolver isso. Ponto. Parece triste e derrotista, mas minha ausência do blog tem se mostrado uma das evidências de como as coisas não estão caminhando bem como o esperado: não me sinto exemplar, therefore, não tenho me motivado a trazer conteúdo novo para vocês.
Hoje me sinto alguém que falhou: comigo, com a minha família, com o meu parceiro, com as minhas responsabilidades profissionais. Me sinto em uma bola de neve que foi chacoalhada em demasia por uma criança maldosa: desorientada e prisioneira de uma situação que está fora do meu controle.
Meu humor anda horroroso e entrei em um ciclo de overthinking que parece um espiral infinito, quase como se tivesse me sentado na janela do bonde da minha vida e estivesse assistindo tudo aquilo que deveria ter sido, mas não foi, passando lá fora. What have I done?
Por onde passo fica agitado, tal qual um Rei de Midas às avessas, cujo toque torna tudo em caos. Ou será que são meus olhos que só conseguem enxergar guerra porque meu interior não está em paz? Provavelmente sim.
Tantos planos rodando dentro da minha cabeça, desordenadamente, cada um me levando para um lugar diferente na vida. A única certeza que tenho agora é que neste exato momento não estou vivendo a vida que sonhei pra mim. Continuo enveredando pelo mesmo caminho que todo o resto do rebanho, mas, por algum motivo muito louco, parece que os outros estão muito melhor do que eu, sinto sozinha e separada dos meus.
Dias atrás, li em uma matéria sobre o overthinking que a respiração é uma ótima ferramenta para aliviar os sintomas, então tenho me apegado à isso: 1, 2 ar entra, 1, 2, 3, 4, ar sai.
Plataforma de pesca de Mongaguá, São Paulo, na minha atual visão de mundo.
Terça, 25 de abril
Ontem me comprometi a arrumar meu quarto ao chegar em casa. É lógico que, só por causa disso, sai do trabalho depois das oito da noite. Mas mantive minha palavra: coloquei uns vídeos da minha lista de assistir mais tarde do YouTube para rodar e bolei a estratégia de ter que lidar com cada item que pegasse em mãos. Acabei usando umas duas caixas que recebi pelo correio e que iam para o lixo para organizar uma gaveta, separei a roupa suja para lavar, coloquei os sapatos “no lugar”, liberei, dentro do possível, as superfícies que estavam servindo de depósito da minha bagunça. Acabei engatando no processo de arrumar meu guarda-roupas enquanto assistia uns vídeos de uma francesa que falava sobre o estilo clássico das mulheres da França. Me deitei depois das onze e meia e, pela primeira vez em um bom tempo, dormi bem, em paz e profundamente. Não fiquei virando na cama, alerta, simplesmente me deitei e dormi. Hoje acordei cedo e só não sai da cama por preguiça, coisa que preciso mudar.
Estou em busca de práticas mais saudáveis na minha vida: praticado exercícios, melhorado a alimentação. Meu obstáculo hoje é meu humor, que ainda continua igual a sempre (estressada, acelerada, exigente). Mas eu chegarei lá.
9 comentários Adicione o seu
  1. Poxa Tate, espero que vc encontre logo o equilíbrio.
    Ler seu post foi como me ver em 2014/2016 e fiquei muito sentida de ver que vc está assim.
    Fico feliz de saber que conseguiu ao menos dar o primeiro passo arrumando o quarto.
    Estarei torcendo por ti.
    Abraços.
    Nadine.

  2. Oi!
    Queria dizer que achei o teu blog há poucos dias, o desafio minimalista foi uma coisa muito legal pra me animar neste momento. Estou no 16º dia, jogando coisinhas pequenas por enquanto, mas bem animada. Acho que vai ser importante esse impulso antes de tentar o método Konmari, GTD e o bullet journal. Essas inspirações são importantes, né? Acho que logo você encontra novas inspirações!
    Inclusive tem um vídeo sobre o assunto que eu quero ver com calma, que tem uma abordagem um pouquinho diferente. Ânimo aí! Você é um bom exemplo sim, menina!

    Um abraço

  3. Uma coisa é bom saber: isso é uma fase e passará.
    Estou aqui na torcida!
    Que bom que deu o primeiro passo… não desista!!!

    Comecei a ler o livro da Marie Kondo essa semana e ela fala um pouco sobre a relação da nossa mente com nossa casa (no seu caso o seu quarto)…

    Acho que cabe a você decidir se quer uma mudança radical e mergulhar de cabeça nisso (ela fala sobre isso no livro e fez muito sentido pra mim!) ou se vai aos poucos voltar a se engajar nos projetos, planos, sonhos etc…

    Beijos!

  4. Olá! 🙂 conheci seu blog a pouco tempo, mas me identifiquei tanto.
    Uma das coisas que me ajudou um pouco, foi escrever num diário. Eu gosto de sentar e analisar tudo, porque as coisas estão acontecendo e porque eu estou daquele jeito.
    Escrever num caderninho ajuda a refletir, sem a pressão de ter outras pessoas vendo tudo.
    Acho que a melhor maneira de parar de pensar demais é abrir a cabeça e tirar tudo de dentro. (O que é muito mais difícil do que falar!)

    Beijos!

  5. Tate, sei como é. Também passo por umas fases assim. O tal do overthinking é dose.

    O importante é que você está fazendo sua parte. Quando acontece comigo, tento me concentrar mais no momento presente, sem ficar pensando no passado ou projetando o futuro. É difícil, rs.

    Espero que as coisas melhorem logo!

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