Frugalidade e minimalismo

A busca

Existe um texto de um minimalista famoso (falando assim parece até uma profissão!) onde ele diz que ser minimalista exclui a necessidade de ser organizado: quando se tem tão pouco é impossível criar o caos. Eu acabei sendo fisgada por essa ideia e acredito que no momento esse é o meu objetivo, apesar de acreditar na organização como uma ferramenta para uma vida melhor.
Minha vida é de uma intensidade frenética e lidar com isso somado a lidar com muitos objetos me esgotava. De excessos já me basta a rotina. Eu sou o tipo de pessoa que precisa se sentir em movimento constante e a melhor forma de faze-lo de maneira saudável é poupando minhas energias para isso – única e exclusivamente.
É até engraçado porque houve um tempo em que eu acreditei que essa história de minimalismo era apenas uma questão de posse e objetos. Hoje eu percebo que isso não podia estar mais longe da verdade. O minimalismo – ou a simplicidade, como preferir – é algo intrínseco. Está dentro de mim. Não o abandono por ir as compras e voltar para casa com dois pares de sapato ou por ainda ter dentro de casa coisas que não preciso ou uso. Depois de um longo processo (documentado fielmente aqui) hoje isso está dentro de mim.
Se você pensa que trilhar esse caminho vai te tornar uma pessoa que só usa uma camiseta básica com uma calça jeans e havaianas, que não compra shampoo e vive permanentemente isolada do mundo, está enganada – ou não. A beleza da coisa é que você pode sim ser esse tipo de minimalista, mas eu descobri que não foi assim para mim.
Chega a ser engraçado, mas hoje eu tenho o hábito de me maquiar todas as manhãs e pintar as unhas aos finais de semana, porque eu mantive apenas aquilo que eu mais gosto e me faz sentir melhor comigo mesma, então dá gosto de usar, sem peso na consciência pelas outras coisas que eu não estou usando. Eu continuo amando roupas, mas agora eu acerto mais quando vou as compras. Eu entendi que as vezes você precisa pagar um pouquinho mais para ter aquilo que vai te dar o que você estava buscando, mesmo se esse valor a mais pudesse te trazer muitas outras coisas em troca. Ou que se uma peça específica não te faz vibrar com a ideia de leva-la para casa então você não deve leva-la mesmo.
Hoje eu não compro livros, revistas, filmes, cd’s ou filmes. Nada que ocupa espaço físico. E o que eu faço quando quero ler um livro novo? Pego emprestado, baixo na internet. Qualquer coisa, menos trazer objetos para o meu espaço físico. Meu espaço físico pessoal é meu templo. Eu nunca comi melhor, saí mais, tive mais pessoas por perto. Eu tirei da minha vida os objetos e substituí por todo o resto. Inclusive minha ansiedade, nunca esteve mais sob controle do que hoje, do que agora.
Eu ainda sinto os fantasmas dos excessos que me cercaram a vida inteira. As vezes, quando estou andando na rua, sinto um pânico pensando que eu perdi alguma coisa pelo caminho, de tão leve que é a minha bolsa. As vezes, eu pego tudo que preciso para sair e penso: está faltando algo! Mas não está, porque eu já peguei o que eu preciso e não é quase nada mesmo. Minha rotina de manhã é tão simples que as vezes, quando eu termino tudo que eu preciso fazer (acordar, me trocar, tomar café, me maquiar…), eu fico desnorteada porque “já” estou pronta para sair. Na faculdade eu reparo que as outras alunas estudam de um jeito mais complexo, anotam mais coisas, mantém um registro maior das matérias e eu penso “talvez eu esteja sendo irresponsável”, mas na época das provas meu método sempre dá bons frutos.
A vida pode ser muito mais simples do que estamos acostumados. Criamos ambientes caóticos, situações dramáticas, excessos. O minimalismo te ajuda a enxergar a vida em linhas simples, estradas tranquilas. Adversidades continuarão existindo, mas sua percepção delas é tão mais clara que ela deixam de ser montanhas e tornam-se meras lombadas. Quanto mais simples, mais suave.
Hoje estou em busca da simplicidade. Sei muito na teoria, quero colocar em prática, fazer da minha vida um laboratório. E gostaria de convidar você a experimentar simplificar a sua vida também, te garanto que arrependimento não há!
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7 Comentários

  • Carolina

    Tati, acho que nunca li texto que deixasse tão claro o que eu penso sobre o minimalismo quanto este. Não que eu me considere minimalista nem tenha inteção de inserir tal filosofia hoje em minha vida, mas me interesso muito pelo assunto e leio bastante a respeito.
    Entendo o minimalismo como a busca pelo essencial. E se o essencial para mim é ter livros na estante ou roupas no armário ou uma coleção de bibelôs, por que isso me impede de ser minimalista? Estou tendo posse do que acredito ser importante em minha vida, do que eu usufruo. O problema, ou ao menos eu enxergo assim, é que muitos temos o hábito de comprar por comprar. Porque está barato, porque está na moda, mas não porque condiz com nosso estilo de vida. Aí sim, estamos deixando de ser minimalistas e criando os tais ambientes caóticos, situações dramáticas, excessos.

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